Sem desfecho na Guerra com o Irã, petróleo volta a subir e inflação no Brasil é novamente revisada para cima
Mitchel Diniz l Exame
Após acumular baixa por quatro semanas seguidas, com uma leve recuperação
na última sexta-feira, o Ibovespa começa a sessão desta segunda, 11, operando
próximo da estabilidade. As perspectivas de inflação no Brasil foram revisadas
para cima pela nona semana consecutiva no Boletim Focus, do Banco Central.
E um dos principais vetores dessa alta de preço persiste: o petróleo volta a
subir sem desfecho na Guerra com o Irã.
“A grande ironia brasileira é que o país virou beneficiário relativo do caos
global. Exportamos petróleo, commodities e alimentos justamente no
momento em que o mundo precisa deles”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da
Magno Investimentos.
Ações de petrolíferas operam em alta com a valorização da commodity no
mercado internacional, mas ações de bancos pesam contra o desempenho
da bolsa brasileira. A exceção é o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle
da EXAME), que divulgou balanço na manhã de hoje e reportou lucro
trimestral recorde.
Após o fechamento da sessão, é a vez da Petrobras divulgar os números do
primeiro trimestre. As ações de maior liquidez da companhia (PETR4)
avançam mais de 1% nessa manhã.
Por volta das 10h15 (horário de Brasília), o Ibovespa operava praticamente
estável, com ligeira queda de 0,07%, mas o suficiente para perder o patamar
dos 184 mil pontos.
O dólar também tinha praticamente a mesma cotação da última sexta-feira,
sendo negociado na casa de R$ 4,89, com ligeira alta de 0,09%.
Petróleo sobe com impasse entre EUA e Irã
O petróleo abriu a semana em forte alta. O primeiro-ministro israelense
Benjamin Netanyahu afirmou que o conflito com o Irã “não acabou” e que
ainda há trabalho a ser feito para conter o programa nuclear iraniano. O
presidente Donald Trump, por sua vez, rejeitou a contraproposta de Teerã
para encerrar a guerra. “Totalmente inaceitável”, escreveu Trump no
Truth Social.
O barril do WTI subia mais de 2%, a US$ 97,88. O Brent, referência global,
chegou a US$ 103,93. Desde o início da guerra, em fevereiro, os dois contratos
acumulam alta de cerca de 40%.
Analistas do Citi avaliam que os preços podem subir ainda mais se não houver
acordo. O banco destaca que o Irã controla o acesso ao Estreito de Ormuz, rota
fundamental para o transporte de petróleo no mundo.
Bolsas americanas: cautela, mas sem pânico
Os futuros das bolsas americanas operavam perto da estabilidade. O Dow Jones
caía 0,1%, enquanto o Nasdaq avançava levemente, puxado por ações de
semicondutores como Micron e AMD.
A semana passada foi positiva em Wall Street. S&P 500 e Nasdaq subiram mais
de 2% e 4%, respectivamente, na sexta semana seguida de alta. O relatório
de empregos de abril surpreendeu, com 115 mil vagas criadas, bem acima
do esperado.
Nesta semana, o mercado acompanha os índices de inflação ao consumidor
e ao produtor de abril, além da viagem de Trump à China para encontro com
Xi Jinping.
Europa: setor de defesa cai com prolongamento do conflito
As bolsas europeias operavam em direções opostas. Londres e Milão subiam
levemente, enquanto Frankfurt e Paris recuavam.
O setor de defesa foi o principal destaque negativo. Empresas como
Rheinmetall, Leonardo e Babcock caíam entre 3% e 5%, devolvendo ganhos da
semana passada, quando havia expectativa de acordo de paz no Oriente Médio.
Ásia: Coreia do Sul brilha; Japão e Austrália recuam
O índice sul-coreano Kospi fechou em nova máxima histórica, com alta de
4,32%. O SK Hynix, também da Coreia, disparou mais de 11%, acompanhando
a valorização das ações de chips nos EUA.
Na China, as bolsas também subiram. O CSI 300 avançou 1,64%, impulsionado
por dados de inflação acima do esperado em abril.
Japão e Austrália fecharam no vermelho. O Nikkei caiu 0,47%, pressionado
pela queda de mais de 8% nas ações da Nintendo, após a empresa anunciar
alta de preços do Switch 2. O ASX 200 australiano recuou 0,49%. A Índia
também fechou em queda.