Caçula do ex-presidente tinha 12 anos na data da declaração
Mateus Conte l Revista Oeste
A 5a Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu a
jornalista Barbara Gancia da condenação por injúria contra Laura Bolsonaro, filha
mais nova do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão reformou a sentença de primeira
instância, proferida em dezembro de 2025, que havia condenado a jornalista. Ainda
cabe recurso, segundo a Folha de S.Paulo.
O relator do caso, desembargador Pinheiro Franco, entendeu que não há elementos
para comprovar que Barbara teve intenção de ofender a honra de Laura ao publicar
uma mensagem nas redes sociais em 2022. Na ocasiao, a jornalista escreveu que “pra
bolsonarista imbrochável feito o nosso presidente, quando a filha do Bolsonaro se
arruma, ela parece uma puta”.
A publicação fazia referência a uma declaração de Bolsonaro sobre adolescentes
venezuelanas, em outubro daquele ano. Na ocasião, o então presidente relatou que viu
jovens “arrumadinhas num sábado” e perguntou por que adolescentes estavam “se
arrumando” naquela situaçao. “Ganhar a vida”, concluiu.

Defesa diz que jornalista usou a mesma logica de Bolsonaro
Barbara sustentou que sua publicação não teve o objetivo de atingir a honra de Laura,
mas de criticar a lógica empregada pelo ex-presidente ao associar adolescentes
arrumadas à prostituição. Já a defesa da caçula argumentou que a manifestação atingia
sua dignidade e que a divulgação pela internet justificava o aumento da pena.
Ao analisar o recurso, o relator concluiu que, além de não haver provas da intenção de
injuriar, a jornalista utilizou a mesma lógica que teria sido usada por Bolsonaro para
formular sua crítica política, conduta considerada protegida pela liberdade de
expressão.