Caminhoneiros intensificam paralisações ereflexos são sentidos nas estradas

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Na manhã de segunda-feira, uma carreta chegou a bloquear o viaduto da Alemoa, na
zona portuária de Santos, mas a via foi liberada posteriormente. À noite foi derramado
óleo diesel que impediu a circulação de caminhões.

Ivan Machado l Jornal da Região

Caminhoneiros autônomos intensificaram nesta terça-feira (14) paralisações em
pontos estratégicos do Estado de São Paulo, incluindo o bloqueio da interligação
Anchieta-Imigrantes, para a Baixada Santista e na Cônego Domênico, para o Guarujá,
em protesto contra o atraso na votacao da Medida Provisória 1.343/2026 – a
chamada MP do Frete -, que altera as regras do piso mínimo do transporte rodoviário
de cargas e cuja validade expira nesta quinta-feira (16).

A categoria ameaça endurecer os bloqueios nesta terça-feira (14), data em que o
Senado Federal é esperado para votar o texto, após relatos de que a senadora Tereza
Cristina (PP-MS) estaria tentando modificar pontos do acordo negociado com o
governo federal.

Segundo relatos de motoristas que circulam em grupos de mensagens, a Ecovias
bloqueou o acesso de caminhoes a serra da Baixada Santista por conta da
paralisação.

Motoristas de transporte de exportacao relataram que “parou tudo” na região e
recomendam que colegas não saiam das garagens.

Na manhã de segunda-feira, uma carreta chegou a bloquear o viaduto da Alemoa, na
zona portuária de Santos, mas a via foi liberada posteriormente. À noite foi derramado
óleo diesel que impediu a circulação de caminhões.

A tensao entre os caminhoneiros cresceu apos circularem audios em que se atribui à
senadora Tereza Cristina a intencão de alterar dispositivos do texto da MP, o que teria
gerado revolta na categoria.

Em gravações divulgadas nos grupos, motoristas prometem ampliar os bloqueios e há
relatos de ameaças de uso de forca contra quem tentar furar as manifestações.

Em um dos áudios, um caminhoneiro diz que “é para ou leva pedra”, em referência aos
bloqueios.

Outros motoristas, no entanto, pedem moderação e evitam vandalismos para não
prejudicar a passagem de ambulâncias e veículos de emergência.

O debate interno da categoria tambem revela divisoes entre motoristas contratados
sob o regime da CLT e autônomos.

Enquanto os autonomos lideram as paralisacoes, alguns motoristas CLT relatam estar
parados por determinacao das empresas transportadoras ou por falta de segurança
nas rodovias.

Há ainda discussões sobre a possível transição para modelos de contrato do tipo
“PX”, que misturam caracteristicas de vinculo empregatício e autonomia.

A MP 1.343/2026, editada em março deste ano, reforça os mecanismos de
fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, amplia os poderes da Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e institui piso salarial nacional para
motoristas de longa distância.

O texto tambem prevê anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias
após as eleições de 2022.

O governo federal intensificou articulações com lideranças partidárias para pautar e
aprovar a medida nesta terça-feira (14), evitando a caducidade da MP na quinta-feira
(16).

A Polícia Rodoviaria Estadual e a Policia Militar mantem equipes de prontidao para
eventual intervencão no caso de confrontos.

A categoria de caminhoneiros afirma que as paralisacoes continuarao ate a votaçao
da MP no plenário do Senado.

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