Acordo de até R$ 26 bilhões busca encerrar milhares de processos que associam o talco de bebê da Johnson & Johnson ao câncer de ovário
Carolina Sott l ND+
A Johnson & Johnson anunciou um acordo para pagar até US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) e encerrar os processos restantes que alegam que seus produtos à base de talco provocaram câncer de ovário. A informação foi divulgada pela empresa nesta segunda-feira (27).
Segundo a fabricante, o acordo foi firmado com escritórios de advocacia que representam os autores das ações judiciais ainda pendentes. Para entrar em vigor, a proposta precisa da adesão de 95% dos requerentes restantes.
A companhia informou que o pagamento será feito de forma escalonada. Até US$ 3 bilhões serão pagos em indenizações ao longo de 2027, enquanto o restante está previsto para os anos seguintes, totalizando US$ 5,5 bilhões.
Apesar do acordo, a Johnson & Johnson afirmou que os autores reconheceram não conseguir comprovar a chamada “causalidade específica”, ou seja, que os produtos de talco da empresa causaram diretamente o câncer de ovário de cada pessoa que entrou com ação. A empresa também mantém a posição de que seus produtos são seguros, não contêm amianto e não provocam câncer.
Processos contra a Johnson & Johnson alegam que talco causou câncer de ovárioFoto: Freepik/Reprodução/ND Mais
Após o anúncio, as ações da Johnson & Johnson subiram 1,9% no pós-mercado da Bolsa de Nova York.
Johnson & Johnson fecha acordo de R$ 26 bilhões por processos sobre câncer ligado ao talcoFoto: Reprodução/ND Mais
A Johnson & Johnson anunciou um acordo para pagar até US$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 26 bilhões) e encerrar os processos restantes que alegam que seus produtos à base de talco provocaram câncer de ovário. A informação foi divulgada pela empresa nesta segunda-feira (27).
Segundo a fabricante, o acordo foi firmado com escritórios de advocacia que representam os autores das ações judiciais ainda pendentes. Para entrar em vigor, a proposta precisa da adesão de 95% dos requerentes restantes.
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A companhia informou que o pagamento será feito de forma escalonada. Até US$ 3 bilhões serão pagos em indenizações ao longo de 2027, enquanto o restante está previsto para os anos seguintes, totalizando US$ 5,5 bilhões.Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Apesar do acordo, a Johnson & Johnson afirmou que os autores reconheceram não conseguir comprovar a chamada “causalidade específica”, ou seja, que os produtos de talco da empresa causaram diretamente o câncer de ovário de cada pessoa que entrou com ação. A empresa também mantém a posição de que seus produtos são seguros, não contêm amianto e não provocam câncer.
Processos contra a Johnson & Johnson alegam que talco causou câncer de ovárioFoto: Freepik/Reprodução/ND Mais
Após o anúncio, as ações da Johnson & Johnson subiram 1,9% no pós-mercado da Bolsa de Nova York.Play Video
Por que a Johnson & Johnson está sendo processada por causa do talco de bebê?
O anúncio representa mais um capítulo de uma disputa judicial que se arrasta há anos nos Estados Unidos. Dezenas de milhares de pessoas processaram a Johnson & Johnson alegando que o talco de bebê e outros produtos da empresa continham amianto, substância reconhecidamente cancerígena, e teriam causado câncer de ovário e mesotelioma, um tipo raro e agressivo de câncer.
A empresa nega as acusações e afirma que testes científicos independentes comprovaram que seus produtos nunca contiveram amianto.
Nos últimos anos, a Johnson & Johnson tentou resolver os litígios por meio da subsidiária LTL Management, que entrou com pedidos de recuperação judicial nos Estados Unidos para concentrar as ações em um único processo. Em uma das propostas, a empresa ofereceu US$ 8,9 bilhões (cerca de R$ 42,8 bilhões) para encerrar mais de 38 mil processos, mas a estratégia enfrentou resistência na Justiça.
Segundo a companhia, os custos acumulados com acordos, indenizações e honorários advocatícios relacionados ao caso do talco já somam aproximadamente US$ 4,5 bilhões (R$ 21,6 bilhões).
Caso Emory Hernandez: jovem ganhou indenização por câncer ligado ao talco de bebê
Em 2024, um júri da Califórnia condenou a Johnson & Johnson a pagar US$ 18,8 milhões (R$ 90,4 milhões) a Emory Hernandez Valadez, então com 24 anos.
O jovem afirmou ter desenvolvido mesotelioma, um câncer raro que atinge o tecido ao redor do coração, após anos de exposição ao talco de bebê da empresa desde a infância.
A ação foi apresentada em 2022. Durante o julgamento, Hernandez disse que teria deixado de usar o produto caso tivesse sido alertado sobre uma suposta contaminação por amianto. Sua mãe também relatou aos jurados que utilizava frequentemente o talco da Johnson & Johnson durante a infância do filho.
Os advogados da empresa contestaram as alegações e sustentaram que não havia provas de que o jovem tivesse sido exposto a talco contaminado ou de que sua doença estivesse relacionada ao produto. A Johnson & Johnson informou que recorreria da decisão.
Embora o júri tenha reconhecido o direito à indenização, o pagamento acabou suspenso por causa de uma ordem judicial ligada aos processos de recuperação judicial da subsidiária responsável pelos litígios.
Talco da Johnson & Johnson causa câncer?
Essa é a principal discussão por trás dos milhares de processos contra a empresa. Os autores das ações afirmam que alguns produtos de talco da Johnson & Johnson continham amianto e estariam relacionados ao desenvolvimento de câncer de ovário e mesotelioma.
A Johnson & Johnson, por sua vez, rejeita as acusações. A empresa afirma que décadas de estudos científicos independentes demonstram que o talco de bebê é seguro, não contém amianto e não causa câncer. O acordo bilionário anunciado agora não representa uma admissão de culpa, mas uma tentativa de encerrar os litígios ainda pendentes nos Estados Unidos.