Anvisa inclui brasileiro Ozivy, para diabetes tipo 2, em lista de referência

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O medicamento é a primeira semaglutida produzida pela indústria brasileira a obter registro da agência

Eugenio Goussinsky l Revista Oeste

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu o Ozivy, da farmacêutica
EMS, na Lista de Medicamentos de Referência (LMR). A decisão, publicada na sexta-
feira 10, no Diário Oficial da União, coloca o produto como parâmetro nacional para
futuras versões de medicamentos com semaglutida sintética que venham a ser
desenvolvidas no país.

O reconhecimento significa que o Ozivy passa a servir como referência de eficácia,
segurança e qualidade para outros remédios similares ou genéricos que utilizem o
mesmo princípio ativo sintético.

O medicamento é a primeira semaglutida produzida pela indústria brasileira a obter
registro da Anvisa. A aprovação ocorreu depois do encerramento da patente da
semaglutida no Brasil, em março, abrindo espaço para a entrada de produtos nacionais
concorrentes.

Apesar de utilizar o mesmo princípio ativo do Ozempic, da dinamarquesa Novo
Nordisk, o Ozivy não é considerado um genérico. A razão está na classificação do
produto original: o Ozempic é um medicamento biológico, categoria que não possui
versões genéricas previstas pela legislação brasileira.

Os medicamentos biológicos são produzidos a partir de organismos vivos ou processos
biotecnológicos, como manipulação genética e fermentação. Por apresentarem
moléculas complexas, sua reprodução exata é considerada mais difícil. Já os
medicamentos sintéticos, como o Ozivy, são obtidos por processos químicos em
laboratório e possuem moléculas menores e mais estáveis, permitindo a reprodução
idêntica por outros fabricantes.

O Ozivy recebeu aprovação para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 sem
controle adequado, podendo ser utilizado sozinho ou associado a outros
medicamentos, conforme avaliação médica. A indicação para emagrecimento e
tratamento de obesidade não consta na bula, sendo considerada uso fora das
indicações aprovadas.

O produto será comercializado em formato de caneta injetável de aplicação semanal. A
EMS anunciou, em junho, que o medicamento chegaria as farmacias brasileiras com
preços entre R$ 452 e R$ 498.

O Ozempic, principal referência de mercado, tem valores superiores. As apresentações
disponíveis podem custar cerca de R$ 975 em determinadas versões e chegar próximo
de R$ 1 mil na dose de 1 mg.

Ozivy se torna desafio

A chegada da semaglutida sintética representa um desafio regulatório para agências
sanitárias, já que esses medicamentos reúnem características de produtos sintéticos e
biológicos. Além da necessidade de comprovar pureza e reprodução química, também
é preciso avaliar questões como possíveis reações imunológicas e formação de
agregados moleculares.

A Anvisa informou que outros medicamentos à base de semaglutida sintética seguem
em análise. Entre eles está o Semavy, da Hypera Pharma, que aguarda conclusão do
processo de registro sanitário e avaliação de preço pela Câmara de Regulação do
Mercado de Medicamentos (CMED).

Para chegar ao mercado, um medicamento aprovado pela Anvisa ainda depende da
definição de preço máximo pela CMED. A eventual oferta no Sistema Único de Saúde
(SUS) exige uma análise posterior da Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no SUS (Conitec) e decisão do Ministério da Saúde.

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