Operação na fronteira MT-Bolívia chegou a apontar suspeita de até 50 toneladas da droga em carregamento de madeira
Maria Clara Silva l Diario de Cuiaba
Uma operação que chegou a ser apontada como a possível maior apreensão de cocaína da história do Brasil ganhou um novo rumo.
Laudos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluíram, até o momento, que não foram encontrados vestígios de cocaína nem de qualquer outra substância ilícita na carga de madeira, retida durante a Operação Timber Shield, realizada em junho nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).
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Diante do resultado das perícias, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar o que levou à retenção da carga e esclarecer se houve efetivamente uma tentativa de tráfico internacional de drogas ou se as informações de inteligência que motivaram a operação estavam equivocadas.
A ação mobilizou a Receita Federal, a Polícia Federal, autoridades dos Estados Unidos e a Aduana Nacional da Bolívia e interceptou oito caminhões carregados com cerca de 260 toneladas de madeira que cruzavam a fronteira.
Na ocasião, a Receita Federal informou que havia indícios de que entre 20 e 50 toneladas de cocaína estariam impregnadas ou ocultas na madeira.
Caso a suspeita fosse confirmada, a apreensão superaria todas as já registradas no país.

Cinco laudos periciais concluídos até agora, porém, descartaram a presença de cocaína nas amostras analisadas. Outros exames laboratoriais ainda aguardam conclusão.
A participação de Cáceres na operação reforça novamente a importância estratégica da região oeste de Mato Grosso no combate ao tráfico internacional de drogas.
Localizado na fronteira com a Bolívia, o município é considerado um dos principais corredores utilizados por organizações criminosas para o ingresso de cocaína no território brasileiro.
A proximidade com o país vizinho faz com que operações integradas entre forças brasileiras e bolivianas sejam frequentes na região.
Foi justamente a partir de informações compartilhadas por órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia que a Receita Federal intensificou a fiscalização da carga e decidiu realizar a retenção dos caminhões.
Segundo o órgão, testes preliminares realizados durante a operação apresentaram resultado indicativo para cocaína, razão pela qual toda a carga permaneceu retida para análise laboratorial.
ORIGEM DAS INFORMAÇÕES – Com os resultados negativos das perícias, a investigação passa a ter um novo foco.
Além de verificar se realmente existiu uma tentativa de tráfico internacional, a Polícia Federal pretende identificar quem produziu ou repassou as informações de inteligência que fundamentaram a operação e se houve eventual comunicação falsa de crime.
O inquérito também apura possíveis crimes ambientais relacionados ao carregamento de madeira e outras irregularidades que possam surgir durante as investigações.
Apesar dos laudos negativos, Receita Federal informou que o caso permanece em andamento.
Novas análises laboratoriais ainda serão realizadas e a liberação definitiva da carga dependerá da conclusão de todos os procedimentos administrativos e periciais.
Em nota, o órgão afirmou que a retenção ocorreu de forma cautelar após receber informações compartilhadas por autoridades norte-americanas e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn), da Bolívia.
Segundo a Receita, os narcotestes iniciais apresentaram resultado compatível com cocaína, mas esses exames possuem caráter preliminar e não substituem a perícia laboratorial da Polícia Federal.
A Receita informou ainda que continuará trabalhando em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal até a conclusão definitiva das investigações.
Operação em números
– 8 caminhões foram retidos
– 260 toneladas de madeira apreendidas
– 20 a 50 toneladas eram a estimativa inicial de cocaína
– 5 laudos já descartaram a presença da droga
– 0 prisão foi realizada até o momento
Locais da operação: Cáceres (MT) e Corumbá (MS)