Alemanha encomenda arma laser naval que entrará em serviço em 2029

PUBLICIDADE

MBDA e Rheinmetall desenvolverão o primeiro sistema operacional de armas laser de alta energia para a Marinha Alemã. Tecnologia foi testada durante mais de um ano a bordo da fragata Sachsen, com mais de mil disparos realizados contra alvos aéreos, marítimos e terrestres

Forças de Defesa

BERLIM — A Alemanha deu um passo decisivo na incorporação de armas de energia dirigida ao assinar um contrato para o desenvolvimento de um sistema de armas laser de alta energia destinado à Marinha Alemã. O acordo foi firmado em 9 de junho de 2026 entre o Escritório Federal de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Apoio em Serviço da Bundeswehr (BAAINBw) e a ARGE HEL, parceria formada pelas empresas MBDA Deutschland e Rheinmetall Waffe Munition.

O novo sistema deverá alcançar capacidade operacional em 2029 e representa uma das iniciativas tecnológicas mais ambiciosas atualmente em desenvolvimento na Europa no campo da defesa naval.

Segundo as empresas envolvidas, uma joint venture específica está sendo criada para conduzir o programa, que abrangerá toda a cadeia operacional do sistema, desde a detecção e rastreamento de alvos até o engajamento por meio do feixe laser.

Mais de um ano de testes no mar

A decisão do governo alemão foi baseada nos resultados obtidos pelo demonstrador tecnológico desenvolvido conjuntamente por MBDA e Rheinmetall.

O sistema experimental passou mais de um ano em testes operacionais embarcado na fragata FGS Sachsen (F219), uma das três fragatas de defesa aérea da classe Sachsen da Marinha Alemã.

Durante esse período, o demonstrador percorreu aproximadamente 28 mil milhas náuticas no Mar do Norte, Mar Báltico e Mediterrâneo, enfrentando diferentes condições climáticas e marítimas.

Os ensaios demonstraram a capacidade do sistema de neutralizar alvos aéreos, de superfície e terrestres, incluindo drones, mesmo em condições atmosféricas adversas.

Em março de 2026, delegações militares e governamentais alemãs acompanharam novas demonstrações do sistema no centro de testes de armas e munições WTD91, em Meppen.

Ao longo de toda a campanha de testes, foram realizados mais de 1.000 disparos bem-sucedidos contra diferentes tipos de alvos.

Precisão de poucos centímetros

Uma das principais características do sistema é sua capacidade de concentrar a energia do feixe laser em uma área extremamente reduzida.

Segundo as empresas, o conjunto de rastreamento e controle de feixe consegue focalizar a energia em um ponto com apenas alguns centímetros de diâmetro, mesmo quando o alvo está em movimento.

Na prática, isso significa que o sistema pode provocar danos críticos em sensores, superfícies de controle, sistemas eletrônicos ou estruturas de drones e outras ameaças com consumo energético relativamente menor do que soluções convencionais.

Essa elevada qualidade do feixe permite:

  • maior precisão;
  • menor tempo de engajamento;
  • redução da potência necessária para destruir ou neutralizar o alvo;
  • aumento da eficiência energética.

Na prática, isso significa que o sistema pode provocar danos críticos em sensores, superfícies de controle, sistemas eletrônicos ou estruturas de drones e outras ameaças com consumo energético relativamente menor do que soluções convencionais.

Resposta à ameaça dos drones

Embora o sistema tenha demonstrado capacidade contra diferentes categorias de alvos, os fabricantes destacam que uma de suas aplicações mais importantes será a defesa contra drones.

Nos últimos anos, conflitos na Ucrânia, no Mar Vermelho e no Oriente Médio demonstraram que veículos aéreos não tripulados baratos podem representar uma ameaça significativa para navios de guerra modernos.

Interceptar drones utilizando mísseis antiaéreos frequentemente cria um desequilíbrio econômico: um drone que custa algumas dezenas de milhares de dólares pode exigir um míssil interceptador avaliado em centenas de milhares ou até milhões de dólares.

Armas laser oferecem uma alternativa potencialmente mais econômica.

Uma vez gerada a energia necessária, o custo por disparo torna-se extremamente reduzido em comparação com sistemas de mísseis convencionais.

Segundo Roman Koehne, diretor da divisão de Armas e Munições da Rheinmetall, o novo sistema proporcionará um nível significativamente superior de proteção para os navios da Marinha Alemã, especialmente diante da crescente ameaça representada pelos drones.

Soberania tecnológica alemã

Outro aspecto destacado pelas autoridades alemãs é a preservação da soberania tecnológica nacional.

O programa foi estruturado para utilizar prioritariamente fornecedores e cadeias de suprimentos alemãs, reduzindo a dependência de componentes estrangeiros em uma área considerada estratégica.

Thomas Gottschild, diretor-gerente da MBDA Deutschland, afirmou que o sistema representa um projeto emblemático da indústria de defesa alemã e contribuirá para fortalecer a capacidade da Bundeswehr de enfrentar ameaças aéreas, marítimas e terrestres.

Além da aplicação embarcada, os fabricantes destacam que versões conteinerizadas do sistema poderão ser empregadas em missões de proteção portuária, instalações militares, infraestruturas críticas e outras aplicações terrestres.

Uma corrida global pelas armas de energia dirigida

A Alemanha não está sozinha na busca por sistemas de armas laser operacionais.

Os Estados Unidos, Reino Unido, Israel, China, França, Coreia do Sul e Turquia também investem pesadamente em tecnologias de energia dirigida para defesa aérea e proteção de infraestruturas críticas.

Entre os sistemas mais conhecidos estão o HELIOS da Marinha dos EUA, o DragonFire britânico e o Iron Beam israelense.

A principal vantagem dessas armas é a combinação entre velocidade da luz, elevada precisão e baixo custo por disparo. As principais limitações continuam sendo a necessidade de grande disponibilidade de energia elétrica, sistemas de resfriamento eficientes e a degradação do desempenho em determinadas condições atmosféricas.

Os testes realizados pela Alemanha indicam que parte desses desafios já está sendo superada.

O que muda para a Marinha Alemã

Quando entrar em serviço em 2029, o novo sistema deverá tornar-se uma camada adicional de defesa para os navios da Marinha Alemã.

Em vez de substituir mísseis e canhões, o laser atuará como complemento às defesas existentes, permitindo engajar ameaças de baixo custo — como drones, embarcações não tripuladas e munições vagantes — antes de recorrer a armamentos mais caros.

A introdução do sistema também colocará a Alemanha entre os primeiros países do mundo a operar uma arma laser naval de alta energia desenvolvida especificamente para emprego operacional em navios de guerra.

O programa representa mais um sinal de que as armas de energia dirigida estão deixando de ser apenas demonstradores tecnológicos para se tornarem parte integrante dos arsenais navais do século XXI.■

Mais recentes

PUBLICIDADE